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Pára o mundo que eu quero descer! Não consigo mais acompanhar o ritmo frenético que a humanidade capitalista se propôs. A sensação que tenho é que estamos todos numa corrida maluca atrás da mesma maçã. Todos atrás de um sonho americano falido. Desejamos coisas que podem ser pagas e não o essencial da existência humana. E quase sem querer, associamos felicidade a algum bem comprável. Primeiro, desejamos o brinquedo da propaganda, depois a bicicleta mais maneira, e a roupa da moda, o carro do ano, a casa própria. E nos colocamos nessa que é uma corrida sem fim, onde o consumismo nunca é saciado.

Logo descobrimos que para ter tudo isso, é preciso trabalhar muito, por muito tempo. E para alcançar metas tão caras é preciso um bom emprego com carreira promissora. E cada vez mais inflados de coisas materiais, colocamos os filhos em escolas que ensinam como se tornar um profissional de sucesso, um funcionário exemplar, um colaborador eficiente. Vamos aos poucos entrando na caixinha da sociedade, como peças de uma engrenagem da máquina que no fim favorece apenas a um pequeno grupo de afortunados.  E assim seguimos por toda a vida. Dedicando a maior parte das nossas vidas a uma ocupação que, na maior parte das vezes, só tem como o objetivo final o dinheiro. Nada contra o dinheiro. O problema é como as pessoas capitalistas lidam com ele. Tenho uma sorte tremenda de ter tido as condições financeiras que tive. Quanto a trabalhar, isso é uma coisa que sempre gostei de fazer, pelo prazer de me sentir ativa e produtiva. Então, a idéia não é ficar parada. Sigo em busca da essência da vida. E para mim ela está onde tem natureza, vida em comunidade e amor.

Sem essas três coisas, nossa sociedade fica doente e a humanidade à beira de um colapso. Como não se abater com tanta violência, desigualdade e miséria todos os dias escancaradas aos nossos olhos? Não dá mais para viver sob a pressão do medo.  Não dá mais para viver a base de remédios controlados para evitar a depressão e os transtornos da mente. Não dá mais para viver o tempo todo acelerado e atrasado. Nada é tão urgente que não possa esperar.  Não faz sentido passar a maior parte do meu tempo longe de quem amo. Não dá mais para dedicar uma vida inteira às infinitas horas trabalhadas num emprego que é apenas fonte monetária. Não dá pra abrir a torneira de casa e não cair água. Não dá pra viver sufocada por tanto concreto. Não dá pra negar ajuda ou um ombro amigo porque você está sempre atarefado. Não dá mais para mais pra financiar uma sociedade que se baseia na concorrência e competição. Não dá mais para apenas olhar para o próprio umbigo.

Então, é por isso tudo que eu grito: Pára o mundo que eu quero descer! Mas não quero descer e ficar parada. Quero ter um comportamento que me traga paz, felicidade e leveza. E esse comportamento pode ser desde uma pequena atitude cotidiana até uma grande mudança existencial. Quero descobrir uma maneira de não adoecer com as regras impostas direta ou indiretamente. Quero não ter mais medo de nada. Porque na verdade o medo é que alimenta a falsa sensação de segurança e estabilidade. Quero me livrar da culpa, do vício e do surto. Quero caminhar para um lugar onde o mais importante seja ser eu mesma e que eu posso compartilhar o meu dia a dia com quem amo. Quero seguir em outra direção, no contrafluxo do mundo capitalista e individual, do caos urbano e desumano. E com esse pensamento quero viver a outra metade dos dias da minha vida.   

Christiana Bernardes é filmmaker e idealizadora do Projeto Contrafluxo (WWW.PROJETOCONTRAFLUXO.COM.BR) um site multimídia de vídeo, foto e texto que aborda temas como vida simples, turismo consciente, sustentabilidade, meio ambiente, economia criativa e colaborativa, arte e cultura local.

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